Um encontro campeão
Cesar Camargo Mariano e Romero Lubambo lançam DVD Duo

Um encontro com ares de magia. Dois músicos que valem por uma orquestra inteira. No piano de Cesar Camargo Mariano e no violão de Romero Lubambo um casamento que soa natural e encantador. A rica dobradinha dos dois músicos, que já havia virado CD, agora ganha registro em DVD pela Trama. A sintonia musical entre Cesar e Romero rendeu uma nova dupla memorável para a música brasileira. A primeira vez que os dois se apresentaram juntos foi há menos de dez anos no Festival de Jazz de Montreux, em 1996. Em 2002 o encontro foi registrado em CD. Três anos depois é a vez das imagens de um concerto intimista ganharem público em um elegante DVD. São quinze números, entre os 13 do show e dois nos extra, que transbordam arranjos trabalhados e performances inspiradas. Canções conhecidas como Fotografia, No rancho fundo e Wave ganham roupa de gala. Músicas estrangeiras como There will never be another you e Joy spring casam perfeitamente no brasileiríssimo roteiro. Cesar Camargo apresenta suas composições instrumentais como Choro n°7, Cristal e Samambaia. De Romero apenas Mr. Junior, em que os dois viajam e trocam figurinhas por quase 10 minutos. Impressiona que, mesmo com músicas longas e um total de mais de duas horas, o DVD não se mostra em nenhum momento monótono. Muito pelo contrário, de tão criativos e talentosos prendem a atenção do expectador por todo o tempo com diálogos incríveis entre os dois instrumentos. No extras um caprichado documentário lembra o primeiro encontro. Romero lembra que passou anos ensaiando exaustivamente a música Samambaia para, no primeiro encontro com Cesar, impressionar tocando perfeitamente. Essa faixa dá título a um antológico álbum que marca outro encontro memorável: de Cesar Camargo com o violonista Hélio Delmiro. Fã da dupla, Romero ouviu o trabalho até reproduzir fielmente, e ainda chegar ao ponto de corrigir o próprio compositor. Os ensaios em um estúdio americano são registrados e a intimidade que nasce entre os músicos é flagrada em momentos de descontração, papo e criação. Duo é um desses encontros raros e inesquecíveis. Cesar Camargo Mariano e Romero Lubambo formam uma dupla inspirada e promissora. Tanta beleza e sintonia pode render novos trabalhos, a criatividade dos dois garante a qualidade musical irrepreensível. A mágica do casamento do piano de Cesar com o violão de Romero comprova, basta ouvir para saber.

Beto Feitosa/Ziriguidum.com (06/2005)


Cesar Camargo Mariano & Romero Lubambo "Duo" em DVD


Este DVD mostra uma apresentação que o pianista Cesar Camargo Mariano e o violonista Romero Lubambo fizeram no Espaço Fasano em São Paulo para registrar em DVD as músicas do CD Duo que eles gravaram em 2002. O público é seleto, pois o local é bem pequeno. Foi colocada uma ótima iluminação e montado um ambiente bem aconchegante. A filmagem realizada foi caprichada, com várias câmeras, inclusive com imagens do alto, havendo também uma câmera registrando imagens em P/B que remete à impressão de estar vendo uma imagem feita escondida.
Mariano e Lubambo tocam sozinhos e entendem muito de seus instrumentos, tirando deles um som fantástico, gostoso de se ouvir, que em determinados momentos soa como se houvesse uma orquestra tocando e não somente duas pessoas. Eles trazem uma seleção de músicas bastante interessante, todas instrumentais. Há músicas conhecidíssimas como ‘Fotografia’ e ‘Wave’ de Tom Jobim, a clássica ‘No Rancho Fundo’ de Ary Barroso e Lamartine Barbo e a mais famosa de Mariano, ‘Samambaia’. Do total de músicas, quatro são composições de Cesar Mariano e uma é de Romero. Vale ressaltar a mão de arranjador de Mariano, instrumentalizando em arranjos novos.
Documentário: 2.0, Widescreen, 21 minutos. Mostra depoimentos de Mariano e Lubambo que contam como se conheceram e sobre o trabalho que fizeram juntos. Lubambo é irreverente, deixando o documentário mais divertido, além de bastante interessante. Há também gravações do disco Duo e depoimentos de John Pizzareli, Maria Schneider e Chico Pinheiro entre outros.
Making Of: 2.0, Widescreen, 8 minutos. Cenas da montagem do cenário, incluindo aquelas em alta velocidade com uma câmera fixa para ver as imagens por inteiro. Era Bom: Faixa bônus em 5 canais gravada em uma apresentação diferente. O Que É, O Que É: Faixa bônus em 5 canais gravada em uma apresentação diferente. A imagem está excelente, assim como o som que tem uma boa distribuição, e convenhamos que somente com som de piano e violão não dá para fazer muita coisa. É um ótimo show feito por duas feras da música instrumental e que vai agradar muito quem gosta do gênero. Recomendo.
Robson Candêo/DVDMagazine.com (05/2005)

Cesar Camargo Mariano & Hélio Delmiro
Samambaia
Cesar Camargo Mariano & Romero Lubambo
Duo

O que pode ser melhor do que um novo álbum de Cesar Camargo Mariano? A resposta é óbvia: dois álbuns, naturalmente. Este é exatamente o que aconteceu com o lançamento de Duo seguido do relançamento em CD do clássico Samambaia. Juntos, estes dois trabalhos dão aos ouvintes uma boa dose do toque de Cesar com dois violonistas brasileiros.Na capa original de Samambaia, Cesar resumiu a realização de seu sonho ao gravar com Hélio Delmiro, um dos músicos mais respeitados e solicitados no Brasil:No dia 17 de agosto de 1981, entramos no estúdio e apresentei a ele um dos meus temas, Samambaia. E mais uma vez foi confirmada a identificação musical e sensitiva do duo pois no meio da exposição do tema, Helinho "saiu tocando", e a faixa foi gravada "na primeira".
Afinidade artística, sensibilidade, musicalidade - estas são algumas das palavras que servem para expressar o trabalho criado por Cesar Camargo Mariano. Quer seja em arranjos para os maiores expoentes da música brasileira - e.g., Elis Regina, Simone, Nana Caymmi e outros - em composições, produções e também como músico, Cesar é estelar em todos estes campos e em cada novo trabalho em que coloca seu talento. Ele inova e cria novos padrões a serem seguidos por outros músicos. Assim é que com grande antecipação, seus fãs no mundo inteiro esperavam o lançamento de Samambaia em CD. Além de composições originais de Cesar e Hélio, tais como a faixa título, "Emotiva Nº4" e "Maria Rita" (uma belíssima canção para a filha de Cesar), este álbum também apresenta clássicos. "Carinhoso" e "No Rancho Fundo", por exemplo, nos mostram o lado tradicional enquanto que a suíte para "Milagre dos Peixes" explora sons mais modernos na música elaborada de Milton Nascimento. Estas faixas dão a estes artistas a oportunidade de mostrarem livremente o que são capazes de fazer. É simplesmente espetacular. O mesmo pode ser dito da composição de Hélio, "Das Cordas", que principia com influências flamencas e cresce num solo estonteante. A própria "Choratta", de Cesar, mistura choro com influências de Bach.
Vinte e um anos mais tarde, outro encontro marcante com um outro violonista brasileiro. Desta vez Cesar trouxe ao estúdio Romero Lubambo. O resultado, como esperado, foi o magnífico Duo, que recebeu o prêmio Tim 2003 de Melhor Álbum Instrumental. Da abertura balançante do "Samba Dobrado" de Djavan ao imprevisível e sereno "Wave" de Jobim, Duo está repleto de surpresas - incluindo os músicos, as músicas e o belíssimo encarte com fotos dos próprios instrumentos. Um registro marcante nos arranjos de Cesar ficam com sua habilidade de recriar e fazer até mesmo as canções mais conhecidas parecerem novas. Ele fez isto, por exemplo, no seu álbum Nova Saudade, com "Chega de Saudade". Aqui em Duo, além do arranjo já mencionado para "Wave", há outros que merecem igual destaque. "Joy Spring", "Mr. Jr.", "Fotografia" e "April Child" são alguns exemplos. Como um novo dia de primavera que amanhece rico em cores e vida, assim é o arranjo em "Joy Spring". Da abertura lenta com o piano, o arranjo se expande e se torna um samba gostoso. Em "Mr. Jr." e "April Child", tanto Cesar como Romero se soltam e se divertem nos seus solos. Os dois artistas brilham e são surpreendentes naquelas faixas. Fechando Duo, Cesar e Romero realmente guardaram o melhor para o fim. "Wave" recebe um novo arranjo que leva aquela clássico de Jobim a um novo pedestal. Violão e piano são como um néctar dos deuses.
Egídio Leitão
(musicabrasileira.org)

Mariano e Lubambo em concerto


Show/Critica
Arthur Nestrovski
Critico da Folha
27 Setembro 2004

Já faz quase dois anos que Cesar Camargo Mariano e Romero Lubambo lançaram o CD "Duo". Foi tempo suficiente para o disco assumir condição de clássico: o primeiro real sucessor do álbum "Samambaia", que o mesmo pianista gravou com outro violonista, Hélio Delmiro, em 1981.
Mas Mariano e Lubambo são ainda melhores ao vivo do que no estúdio, e deram um concerto exuberante na última sexta-feira, na Sala São Paulo.
"Concerto" é bem a palavra -e que diferença escutar essa música numa sala assim. Comparada às dispersões das casas de show, era como escutar o duo no quarto, com intimidade e atenção, com dedicação e cuidado, reconhecendo timbres, dinâmicas, acentos. Só que melhor, considerando o cenário. Enfim: como merece. (O que a Sala São Paulo está esperando para criar uma série de música popular?)

Um exemplo só não basta, mas ajuda a entender o que se ouviu. "Fotografia" começou com o pulso lento, meio livre, as harmonias luxuosas de Tom Jobim se espalhando como aromas pelo espaço. Depois pegou um andamento mexido. E Romero Lubambo fez então uma das dezenas de solos mirabolantes que tinha em estoque para a noite, combinando inspirações de Wes Montgomery (melodias oitavadas) e Luiz Bonfá (acordes blocados), entre outros, numa síntese própria e feliz.
Na seqüência, foi Cesar Camargo Mariano quem roubou a bola, para desenhar uma rapsódia característica, a mão esquerda mantendo sempre a ginga e a emoção da idéia traduzida em acordes gigantescos da direita, num crescendo impressionante. Mudança súbita de textura e dinâmica, para a cantilena que conduziu as coisas de volta ao sonhador começo. Final: só os dedos do pianista se mexendo, sem som, num silêncio cheio de música.

Logo depois, os dois artistas atacaram "Curumim", do próprio Mariano, com a semínima a mais ou menos 120 (batidas por minuto ou quilômetros por hora, tanto faz). Isso significa colcheias a 240, e são muitas colcheias. Mais do que isso, só em "Mr. Jr.", de Lubambo, que eles tocaram num bloco "americano", incluindo "Joy Spring" (de Clifford Brown e Max Roach) e "There Will Never Be Another You" (de Harry Warren e Mack Gordon).

O encontro do pianista com o violonista é um daqueles que faz cada um tocar ainda melhor do que já toca. Os dois músicos parecem livres e contentes, exercendo suas artes com uma confiança mais que natural. Gostam de tocar, de um jeito que ultrapassa qualquer formalidade e apaga qualquer receio.
Se em alguns casos isso leva a alguma distorção -como em "Rancho Fundo" (de Ary Barroso e Lamartine Babo), que eles tocaram como se a letra não tivesse a menor importância-, o resultado compensa, para quem está de coração aberto.

E quem não estaria, ouvindo aquele mar de música, realizada com tamanho abandono, e ao mesmo tempo com acabamento supremo?
Do início do "Samba Dobrado" (Djavan), a música saindo aos poucos das profundezas, até o bis de "Wave" (Tom Jobim), a música num limite da realidade, foi toda uma sucessão de alumbramentos, conduzida por dois grandes músicos em pleno domínio de si.
Quer dizer: em pleno domínio de todos nós, que ficamos depois no limite de cá, pensando na vida e alumbrados, lembrando da música.

De Yo-Yo Ma para o Brasil, com carinho

O célebre violoncelista francês Yo-Yo Ma lança o CD "Obrigado Brazil", com repertório de música brasileira e convidados como Cesar Camargo, Gismonti e Rosa Passos


O canto de sereia da alma brasileira atrai grandes artistas estrangeiros desde o tempo em que o samba nem ainda era a música da identidade nacional. O antrópologo Claude Levi-Strauss, a poetisa Elizabeth Bishop, o cineasta Orson Welles e o escritor John Updike são alguns dos nomes dessa extensa lista de seduzidos.

E o mais novo deles, o violoncelista Yo-Yo Ma, faz questão de agradecer à paixão. No caso específico, uma paixão musical. Nas lojas de todo o mundo esta semana, o CD Obrigado Brazil traz o artista interpretando música brasileira na companhia de notáveis como Oscar Castro-Neves, Cesar Camargo Mariano, Egberto Gismonti e o cubano Paquito D''Rivera.
Parisiense de origem chinesa, Yo-Yo Ma, 48 anos, é um astro da música erudita. Um dos maiores mestres da história do violoncelo. Vende milhões de discos e coleciona prêmios como instrumentista clássico, mas gosta de explorar influências populares. Assim, já dedicou álbuns inteiros a Gershwin (Made in America/1993) e Astor Piazolla (Plays Piazolla e Soul of the tango, ambos de 1998).
Obrigado Brazil é conseqüência de encontros e experiências que o músico teve e desenvolveu ao longo de sua carreira com artistas brasileiros. Conheceu o violonista Oscar Castro-Neves (um dos artífices da bossa nova), é amigo do violoncelista Aldo Parosot, que o incentivou a ouvir Villa-Lobos, etc.
Yo-Yo Ma pesquisou seriamente a cultura e a história do Brasil quando começou a pensar na idéia de fazer um disco com repertório dedicado à música do país. Em entrevista à revista americana Billboard, ele afirma que o seu maior desafio em Obrigado Brazil foi absorver com fidelidade os ritmos brasileiros.
Além da excelência dos músicos, claro, o CD esbanja apuro nos arranjos e na seleção dos compositores - dos clássicos Villa-Lobos (A lenda do caboclo) e Guarnieri (Dança brasileira), aos populares Antonio Carlos Jobim (Chega de saudade) e Pixinguinha (Carinhoso), passando por Egberto Gismonti (Bodas de prata e Quatro Cantos) e Cesar Camargo Mariano (Samambaia).
À cantora baiana Rosa Passos cabe o luxo das duas únicas interpretações vocais de Obrigado Brazil, nas faixas Chega de saudade (na qual ela também toca violão) e O amor em paz. Cada vez mais reconhecida no exterior como a maior intérprete de bossa nova atual, Rosa a-companhará Yo-Yo Ma na extensa turnê mundial de lançamento do álbum (toda a Europa, Ásia e Estados Unidos).

Obrigado Brazil
O violoncelista Yo-Yo Ma vai da bossa nova
ao choro em disco de música brasileira

Mauro Ferreira


Yo-Yo Ma é um violoncelista francês, de ascendência chinesa, que se impôs nos anos 90 na cena erudita. Mas o músico eventualmente sai da área clássica para fazer incursões por universo mais popular. Yo-Yo Ma já gravou discos com o repertório de Astor Piazzolla, passeou pela canção americana e lança agora CD dedicado à música brasileira. Obrigado Brazil reúne estelar time de músicos nacionais, formado pelo pianista César Camargo Mariano, o multi-instrumentista Egberto Gismonti e pelo violonista Romero Lubambo, entre outros.

Yo-Yo Ma vai da bossa nova ao choro sem sair do tom, ora brejeiro (como em “Brasileirinho” e em “1 X 0”), ora lírico, como no tema de Villa-Lobos “A Lenda do Caboclo”. O único incômodo do disco é Rosa Passos, ótima cantora cujos vocais soam dispensáveis nas regravações de “Chega de Saudade” e “O Amor em Paz”. Não é preciso voz num disco instrumental em que os músicos dialogam fluentemente com Yo-Yo Ma, em belo passeio pela música brasileira no qual brilham também os violonistas Sérgio e Odair Assad, do Duo Assad. O resultado é harmonioso. Belo cello na MPB

Veja Recomenda - Obrigado, Brazil, Yo-Yo Ma (Sony Music)

Vários artistas internacionais já gravaram discos dedicados à música brasileira. Boa parte deles não passa de macumba realizada por turista. Mas em Obrigado, Brazil, CD do cellista francês de ascendência chinesa Yo-Yo Ma, tudo dá certo. Ele convocou artistas de talento inquestionável, como o pianista e arranjador César Camargo Mariano e a cantora Rosa Passos. O repertório é abrangente: vai de bossas-novas e chorinhos a obras de compositores eruditos brasileiros respeitados no exterior (leia-se Villa-Lobos e Camargo Guarnieri). Entre as delícias do CD estão Doce de Coco, de Jacob do Bandolim, e Apelo, do violonista Baden Powell.

Ai, Yo-Yo

Dá vontade de chamar Yo-Yo Ma de Linda Flor depois de ouvir seu “Obrigado Brazil”. Poucos erros e grandes acertos fazem da nova experiência crossover do violoncelista uma viagem deliciosa. Produzido e arranjado pelo genial Jorge Calandrelli, argentino que assina “Soul of the tango”, boa incursão do músico pelo mundo de Astor Piazzolla, o álbum reúne um dream team brazuca, com Rosa Passos, Romero Lubambo, César Camargo Mariano, Egberto Gismonti, Cyro Baptista, Oscar Castro-Neves e os irmãos Sergio e Odair Assad. Quando se torna óbvio, o disco piora: nem Rosa Passos salva um “Chega de saudade” em que o astro do disco tem pouco a acrescentar ou um “Doce de coco” que poderia estar num disco tipo “O cello mágico de Yo-Yo Ma”. Mas há momentos poderosos, como “Samambaia”, o lindo tema de Mariano, tocado por ele e Lubambo, e, na seara erudita, dois Villa-Lobos de arrepiar: “A lenda do caboclo” arranjada e executada pelo Duo Assad, e “Alma brasileira” num dueto com a pianista Kathryn Scott. Paquito d’Rivera brilha no clarinete nos chorinhos “1 X 0” e “Brasileirinho” e há um momento de pungente introspecção em “Menino”, dobradinha com o Duo Assad na música de Sergio que valeria o disco. O melhor é que Yo-Yo parece ter realmente entendido a particularidade do que toca. E já pode virar Ioiô quando for ao Bar da Maria comer pastel de bacalhau com o Aldir Blanc. (PRP)
(nominimo.com)

Dos Estados Unidos, dupla de músicos revela o Brasil em cada nota

EDSON FRANCO
da Folha de S.Paulo


Para o ouvinte médio, talvez "Duo" entre na memória apenas como uma espécie de milagre da multiplicação. Faz sentido, afinal, são apenas 20 dedos, 88 teclas e seis cordas dando corpo a um caleidoscópio sonoro.
Mas, vencido esse aspecto quase circense do trabalho, sua maior qualidade vem à tona. Revestido em cada um de seus quadrantes com uma saudável saudade do Brasil, o CD traz à mente aquelas imagens da Terra vistas da janela de um foguete. Explico: foi preciso que os dois se distanciassem para ver por inteiro o objeto de abordagem -ou de adoração, o que não é impreciso afirmar.Seria quase um olhar estrangeiro, não fossem os músicos em questão Cesar Camargo Mariano e Romero Lubambo. Apesar de já polido pelos anos aplicados no estudo da técnica instrumental, o Brasil aparece completo em cada nota tocada em "Duo".Sem nenhum esforço metafórico, ouvem-se escolas de samba, grupos regionais de choro, o verniz globalizante da bossa nova, a riqueza harmônica da MPB."Fotografia" conta com a interpretação mais contundente do trabalho, além de trazer ecos do arranjo composto por Mariano para o LP "Elis e Tom" (74). Mas isso não diminui a importância da leitura de "Joy Spring", composta pelo baterista Max Roach e pelo trompetista Clifford Brown.Essa última mostra o quanto a sonoridade do dueto já é um substantivo concreto que mantém a identidade mesmo quando vai além de seus domínios. "Duo" representa um daqueles raros momentos na música em que sutileza e substância têm um encontro feliz.
(folha.uol.com.br)

Mariano e Lubambo lançam CD com temas de Tom Jobim e Djavan

EDSON FRANCO

No início era admiração, virou amizade, passou pela parceria e agora chega ao disco. Lançado pela Trama, "Duo" registra o encontro do pianista e arranjador Cesar Camargo Mariano com o violonista Romero Lubambo.São dez faixas em que os músicos brasileiros, só com piano e violão, esquadrinham um repertório composto por eles próprios, além de temas de Tom Jobim, Djavan, Moacir Santos e dos jazzistas norte-americanos Max Roach e Clifford Brown.A sonoridade que chega madura ao CD começou a ser alinhavada em 1995, ano em que Mariano se apresentou no clube Blue Note, em Nova York. Lubambo estava na platéia. "Eu já conhecia a música dele e admirava o trabalho que havia desenvolvido com a Elis Regina e com o quarteto", disse o violonista, por telefone, de sua casa em Nova Jersey.Depois disso, passaram a se encontrar na casa de Mariano -também em Nova Jersey, onde mora desde 94. Desses encontros, ressurgiu o quarteto que o pianista montou no início dos anos 60 e que teve várias formações nas décadas seguintes. Agora, além de Lubambo, o grupo conta com os norte-americanos Leo Traversa (baixo) e Mark Walker (bateria)."É uma formação que não deve nada às anteriores. A diferença é que, quando tocávamos, o dueto entre mim e o Romero já "gritava" dentro do quarteto", lembra Mariano, também por telefone.O CD foi gravado praticamente ao vivo durante três dias. Apesar de serem apenas dois no palco, os músicos conseguem manter no alto as petecas rítmicas, melódicas e harmônicas. Para Lubambo, isso se deve à integração desenvolvida ao longo dos anos e ao talento de arranjador de Mariano. "A gente se completa. Ele é mais jazzista, improvisador, forte, agressivo. Eu sou mais arranjador, organizador, tímido", diz o pianista.A maior parte do repertório do CD já passou pelo crivo de platéias americanas, européias e asiáticas antes de ser gravada. "As músicas praticamente se escolheram", comenta Lubambo.Apesar de contar com um dos maiores arranjadores nascidos no Brasil -Mariano trabalhou com Elis Regina, Ivan Lins, Tom Jobim, Kevin Mahogany-, o trabalho de criação perpetuado em "Duo" deriva de esforço coletivo.Mariano conta que, nos ensaios que fez em sua casa, os dois começavam a tocar qualquer coisa. Uma batida, uma levada, não necessariamente uma canção. Depois, passavam um tempo brincando com aquilo até achar uma música que se encaixasse naquele clima. "É mais erro que tentativa."Mas há casos (minoria) em que o arranjo foi todo elaborado pelo pianista. "Choro #7" é um exemplo. "Originalmente, compus essa música para piano e o clarinete de Paquito D'Rivera. Com o tempo, passei a "ouvir" o violão do Romero nessa música e fiz o arranjo baseado nisso."Tanto Lubambo quanto Mariano manifestam o desejo de fazer shows no Brasil para dar suporte ao lançamento do CD. Pode ser que eles aconteçam em março. O obstáculo maior é a agenda do primeiro, violonista solicitadíssimo por gente como Diana Krall, Dianne Reeves e James Carter, entre uma infinidade de outros músicos de ponta.

Instrumental de gala

Quatro bons lançamentos contemplam da sanfona ao piano 'on the rocks'

Tárik de Souza

Gala instrumental de final de ano. Um punhado aleatório de expressivos lançamentos de selos diversos agita o ramo da música sem palavras.
.....Radicados durante longo tempo nos EUA, o pianista Cesar
Camargo Mariano
e o guitarrista/violonista Romero Lubambo exaltam a síntese em Duo (Trama) onde repaginam de Djavan (Samba dobrado) a Tom Jobim (Fotografia)....
Coesão, sinergia, simbiose, pode-se empilhar definições para o milimétrico
equilíbrio entre o piano acústico (Yamaha C5) de Cesar Camargo Mariano e o violão eletro-acústico (Ramirez Cutaway & Casa Gonzales de Barcelona) de Romero Lubambo. Duo soa quase sobrenatural nas oitavas de piano casadas ao pulso bossa das cordas no precursor Era bom (Hianto de Almeida/ Macedo Neto), gravado por Elza Soares em 1960. Wave (Jobim) tem a melodia muito conhecida apenas insinuada no diálogo de violão e piano que esbanja balanço na oblíqua April child (Moacir Santos) e em (boas) composições dos próprios Cesar (Choro # 7, Short cut) e Romero (Mr. Jr.).
(jb.com.br)

César Camargo Mariano lança seu Samambaia 2


Lubambo e Mariano: parceria de quatro anos
em shows pelos EUA. (Foto: Div.)
Ricardo Ivanov / Redação Terra
Segunda, 16 de dezembro de 2002, 12h33

O pianista César Camargo Mariano está lançando seu Samambaia 2, disco que gravou em 1987 com Hélio Delmiro, com piano e violão, e que se transformou em um marco da música instrumental brasileira. A nova empreitada chama-se Duo, feita em parceria com um novo amigo e músico, Romero Lubambo. O formato é o mesmo e não é somente uma revisão de uma fórmula, é um ótimo disco, extremamente bem gravado e com os dois músicos sintonizadíssimos. Os dois trabalham juntos há muito tempo e se encontraram em um show de César. Apesar do "Lubambo" no nome, Romero não é uma estrela da música latina - é um carioca que mora há 18 anos em Nova York. O sobrenome significa, segundo o dicionário Michaelis, "desordeiro".
Raramente uma combinação de piano acústico e violão de náilon dá certo, por vários motivos. O artístico é a nuance de interpretação, em que o piano pode facilmente "matar" o companheiro. O técnico é o duo se ouvir claramente, já que o piano tem uma massa sonora mais envolvente. "O processo de escolha do que queremos tocar é simples: sentamos e ficamos tocando. Eu sugiro uma música, ele outra. Na hora de construir o arranjo estudamos um pouquinho, mas a escolha vem por causa do som", diz Mariano, em conversa telefônica com o Terra, de Nova York. César, que já tem uma longa história na MPB - incluindo a parceria com sua ex-mulher Elis Regina -, sabe como mesclar os dois instrumentos.
O encontro musical de Lubambo e Mariano aconteceu mesmo no Festival de Jazz de Montreux, quando montou um quarteto e convidou o violonista. O entrosamento foi tanto que já nesse show eles já se apresentaram em dueto. O CD, lançado pela gravadora Trama, traz músicas como Short Cut, que Mariano já havia gravado com Nelson Ayres, Samba Dobrado, de Djavan, April Child, de Moacir Santos, Fotografia, de Tom Jobim, e Mr. Jr., do próprio Lubambo. Wave, também de Tom, está lá no final do disco, mas foi feita de improviso - uma tradição no bis dos shows ao vivo da dupla nos EUA. "Gravamos tudo em uma tarde" O processo de gravação foi mais ou menos como um show ao vivo, para preservar a naturalidade do duo tocando e a energia que nasce do repertório. "Já estava tudo lá, o som já veio pronto. Gravamos tudo em uma tarde", afirma o brasileiro, que é pai de Pedro Mariano, Marcelo Mariano e Maria Rita - todos já músicos. O repertório de Duo caça músicas da infância do pianista, como Era Bom, com mais de 50 anos e gravada por Elza Soares. O pai e a mãe do músico disputavam gostos, sendo que o primeiro gostava de Elza e a segunda de Leny Andrade. Fotografia, por exemplo, é de um álbum histórico que Mariano produziu, Elis & Tom, de 1974 - um de seus preferidos de Elis. Choro #7, de César, traz a mistura do choro com o jazz e malandragem sambista - um tema que parece retomar força na música brasileira. Vários projetos estão na agenda de César Camargo Mariano. Além do anual concerto de música brasileira que produz no Carneggie Hall, o músico terminou sua participação no novo disco do violoncelista Yo Yo Ma, que sai em janeiro. Nele, participa de duas faixas: Samambaia e Crying. É um disco de música brasileira, que conta inclusive com a participação de Lubambo e Egberto Gismonti, outro nome de prestígio da música instrumental brasileira no mundo. "Foi uma aula de humildade. O Yo Yo Ma, que tem toda sua fama no mundo erudito, é uma pessoa incrível, amável, doce, atencioso", diz Mariano, que o compara com outro celista, Jacques Morelembaum. "O Yo Yo é mais erudito e tem um virtuosismo absurdo. O Jacques é mais popular, mas tem uma sonoridade impar, uma digitação e técnica doces, como eu pude ver em um show recente do Sting", explica.
Enfim, 15 anos depois de Samambaia, Duo chega como um dos melhores lançamentos instrumentais de 2002.
(terra.com)


Maestria de dois compadres musicais

Um trabalho sóbrio. É o que primeiro se pode dizer de "Duo", álbum recém-lançado pela Trama que reúne César Camargo Mariano e Romero Lubambo, inteiramente executado apenas com o violão deste e o piano daquele. No repertório, músicas de Djavan, Tom Jobim e Moacir Santos - além de temas de César e Romero - desdobradas, dissecadas, desmembradas e viradas pelo avesso em arranjos que perpassam diversos gêneros - o samba, o choro, o tango, a valsa - e convergem no jazz. Com uma audição mais cuidadosa, ouve-se que a sobriedade de "Duo" não redunda em sisudez, não se opõe ao balanço infeccioso de "Mr. Jr.", de Lubambo, ao suingue faceiro de "Short Cut" ou a levada cheia de bossa de "Choro # 7", ambas de César. O disco foi gravado pelo processo a que chamam de ao vivo, ou seja, os dois tocando juntos no estúdio, como se estivem num show. Dito isso, não há como não destacar o entrosamento entre César e Lubambo. Ao longo das dez faixas, um instrumento estará sempre executando o tema, ao passo que o outro terá liberdade para criar desenhos sobre a linha melódica e improvisar. Chega a ser cavalheiresco o modo como um entrega ao outro o espaço para o solo. É nesse momento que ambos mostram o que sabem. "Duo" abre com "Samba Dobrado", de Djavan, cujos elementos rítmicos e harmônicos que vão dar em samba se somam aos poucos, nos primeiros momentos da música. Começa meio sem parecer que é, mas termina samba assumido. Vale destacar o quanto de ritmos genuinamente brasileiros César consegue imprimir ao seu piano, marcando com um tempo característico a linha melódica das músicas. Em "Era Bom" ouve-se o bater de pés no chão. "Duo", de César Camargo Mariano e Romero Lubambo. Lançamento
(otempo.com.br)

César e Lubambo em grande forma

Flavio Pinheiro

Sintetizadores e pianos elétricos fizeram um mal enorme a César Camargo Mariano. Em versões acústicas, seu piano resplandece com dicção originalíssima e extremo bom gosto. “Solo Brasileiro”, de 1994, com variado repertório de canções brasileiras, é dos melhores discos de música instrumental brasileira de todos os tempos. Agora em “Duo” César está de novo em grande forma, dividindo o disco com o violão de Romero Lubambo, brasileiro radicado nos Estados Unidos. O CD reedita os melhores momentos de “Samambaia”, o ótimo disco que César fez com Hélio Delmiro em 1981. “Duo” é ainda mais singelo. Nele há também o César compositor – Choro # 7 é um primor de invenção melódica – e grandes achados. Nos pouco mais de sete minutos de Fotografia, viagem musical de Tom Jobim, há todas as nuances de clima que a música pede. April Child é Moacir Santos na veia e Joy Spring, de Clifford Brown e Max Roach é cool jazz dos bons. -

Cesar Camargo Mariano encontra seu parceiro ideal

Pianista lança o belo disco "Duo", em parceria com o violonista Romero Lubambo

Paulo Sales

Romero Lubambo e Cesar Camargo Mariano se conheceram em Nova York: identificação musical resultou no CD "Duo", que alia sofisticação e simplicidade.

É o próprio Cesar Camargo Mariano quem afirma: desde a época em que tocava no lendário quarteto formado com Hélio Delmiro, Paulinho Braga e Luizão Maia, ele não havia encontrado uma sintonia - e identificação musical - tão sólida como a que sente na parceria com o violonista Romero Lubambo. Surpreendentemente natural, essa sintonia se desnuda no disco Duo, resultado dos sete anos em que tocaram juntos em palcos como o Birdland, em Nova York, e o Festival de Montreux, na Suíça.
No CD, complexidade se une a uma simplicidade extrema, como se os músicos brincassem de improvisar. Gravaram o disco ao vivo em estúdio (só piano acústico e violão eletro-acústico) em apenas dois takes contínuos durante uma tarde inteira. "Falei brincando para o técnico de som: ''quando a gente entrar na sala, você aperta o botão pra gravar; quando a gente sair, você desliga''", conta um Cesar Camargo Mariano bem mais simpático e extrovertido do que sugere o seu semblante habitualmente sisudo.Em entrevista ao Folha, por telefone, de Nova York (onde mora desde 1994), o pianista revela ter conhecido o conterrâneo Romero Lubambo - que vive no país desde 1985, onde construiu uma carreira respeitada como instrumentista de jazz e música erudita - após uma apresentação na requintada casa Blue Note. "Já o conhecia de nome. Nessa noite, ele foi ao camarim e se apresentou. Marcamos de nos encontrar e ficamos amigos antes de começarmos a tocar juntos. Quando, por fim, isso aconteceu, houve uma identificação rara entre músicos. Já toquei com tremendos guitarristas no mundo inteiro, mas ele tem algo mais".Composto de dez faixas, Duo transita por gêneros e épocas distintos, mas confere unidade a essa disparidade. Estão nele Moacir Santos (maestro pernambucano recém-redescoberto pelos músicos Mário Adnet e Zé Nogueira no CD Ouro negro), com April child, Hianto de Almeida e Macedo Neto, com Era bom (música que revelou Elza Soares), Djavan (Samba dobrado, que ganhou compassos de blues na introdução) e a dupla Clifford Brown e Max Roach (Joy spring).O disco segue com composições dos próprios autores (de Cesar: Choro # 7, O que é, o que é - esta em parceria com Márcio Moreira e Sérgio Augusto - e Short cut. De Lubambo: Mr. Jr.) e chega ao ápice nas regravações de Fotografia e Wave, ambas de Tom Jobim. No caso da última, pode-se definir como descontrução o que a dupla fez. "Essa versão surgiu por acaso, no bis de um show que fizemos. Combinei com o Lubambo que sentaria no piano, botaria a mão nas teclas e veria no que ia dar. Então começou a pintar a seqüência harmônica de Wave, mas sem expor a melodia, que ficou como um tema subliminar", explica.Para Cesar Camargo Mariano, o disco reflete a "manha da dinâmica" conseguida no palco. Acha que a forma como foi gravado evitou possíveis intervenções posteriores, que poderiam rebuscar demais as composições. "A gente senta, começa a tocar, faz um swingue, um groove, e vai encaixando o tema naturalmente. Ficou uma coisa solta, meio jazzy, como dizem aqui, apesar da rigidez dos arranjos. Tivemos muito cuidado com a mixagem, pois essa mistura de instrumentos é complicada. O piano é naturalmente muito mais alto do que o violão".Sugerida pelo maestro Ettore Stratta, a idéia do disco ganhou fôlego quando João Marcelo Bôscoli (enteado de Cesar) se interessou e pôs sua gravadora, a Trama, à disposição. Seria um disco ao vivo, mas não deu certo. De qualquer modo, as músicas traduzem o calor do palco, conferindo um sabor de afetividade ao trabalho. Violão e piano soam como extensões um do outro, fruto da espontaneidade com que os músicos se revezam nos solos.Cesar Camargo é figura seminal da música instrumental brasileira, não só por ser um pianista virtuoso, como ter revestido de modernidade a forma de se fazer arranjos no Brasil. Lançou dois discos antológicos nos anos 80: Samambaia (com Hélio Delmiro) e Voz e suor (com Nana Caymmi). Mas Cesar Camargo foi também marido de Elis Regina, a quem acompanhou em apresentações históricas, e com ela teve dois de seus filhos: Pedro e Maria Rita. Acha - "como músico, e não como pai, enfatiza" - que ela tem muita qualidade inata, não sendo preciso forjar nada."Maria Rita sempre foi altamente musical, sensível à arte. Mas não queria saber de ser cantora, queria trabalhar no business da indústria de música. De repente, um mosquitinho passou, mordeu e pronto. Fico muito tranqüilo, porque sei que ela - e meus outros filhos também - têm amparo. A gente não sabe até onde a pressão da mídia pode influenciar, mas acho que ela tira de letra".
(correiodabahia.com)

Duo
Cesar Camargo Mariano & Romero Lubambo (Trama)

Reunião em estúdio de um encontro que já vinha ocorrendo nos palco de Nova York , Europa e Japão. O pianista e arranjador brasileiro une seu suingue virtuoso ao violão de sotaque jazzístico de Lubambo, guitarrista brasileiro radicado nos EUA. Dez faixas entre criações próprias de ambos e releituras de Djavan, Tom Jobim, Moacir Santos e jazzistas americanos. O clima de descontração soa mais forte nas faixas deles, como na melodiosa Choro # 7, que Cesar fez para o clarinetista Paquito D’Rivera e Short Cut, um samba-jazz também dele, com forte conotação de chorinho. De Djavan refizeram Samba Dobrado, Tom Jobim aparece em Fotografia e Wave, e do maestro Moacir Santos, April Child, outro samba-jazz onde os dois mostram uma dinâmica invejável em solos divididos.
(opopular.com)

Sinônimo de boa música

João Nunes

Cesar Camargo Mariano conheceu Romero Lubambo em 1994, depois de tocar em um show no Blue Note de Nova York. O violonista carioca, que vive há mais de 20 anos nos Estados Unidos, o procurou no camarim – pois o vira tocar nos tempos em que Cesar tinha um quarteto e acompanhava Elis Regina, com quem foi casado – e disse ser seu fã. “Eu também gosto muito do seu trabalho”, devolveu a gentileza Cesar Camargo. Foi o começo de uma amizade que se perpetuou. “Freqüentamos a casa um do outro, ficamos amigos e companheiros de trabalho, mas nunca tínhamos tocado juntos”. Então surgiu um quarteto para tocar em Montreaux (1995) e, pela primeira vez, apareceu um duo com o piano de Cesar e o violão de Romero. Daí para o disco Duo, que a Trama acaba de lançar, foi um passo.
“Na verdade, nós cogitávamos gravar, mas fomos adiando”, conta César ao Caderno C, de Nova York, onde mora. Ocorre, segundo ele, que nas apresentações do quarteto ficou clara uma identificação musical entre os dois. “Pintou um negócio meio raro entre músicos e os próprios colegas observaram essa identidade e incentivaram a gravação de um disco, pois diziam que estava bom pra caramba”. Mas foi o maestro erudito Pat Phillips, antigo amigo de Tom Jobim e apaixonado por música brasileira quem deu o incentivo final, depois de um concerto do duo no Carneggie Hall. Há até um agradecimento a ele no encarte.
Mas a idéia, desde o início, era gravar ao vivo para manter o clima. Por várias razões não houve essa possibilidade e, então, veio a sugestão definitiva: gravar “ao vivo” no estúdio. Com isso, manteriam o clima desejado e dispensariam qualquer tipo de maquiagem no disco. “Quando acontecia um erro, voltávamos e gravávamos tudo de novo, pois não queríamos cortes e montagens na faixa”. Fizeram a mesma seqüência das apresentações no Bennett Studios, do filho do Tony Bennett, preparado como se fosse para um show. No terceiro dia, o disco estava mixado.
A seleção das faixas teve um princípio básico, segundo Cesar Camargo: um repertório que se adequasse ao som dos dois instrumentos. “Sempre funcionou assim como a gente. Sentamos e começamos a tocar e experimentar o som. Nunca escolhemos determinada música para compor o repertório da dupla”.
Exemplo típico é a faixa que abre o disco – Samba Dobrado (Djavan). Cesar costuma entrar para um show e fazer alguma coisa “free” – livre – antes de Romero entrar. Às vezes, ocorre o contrário, pois o violonista entra primeiro. Numa dessas, ele iniciou uma batida ao piano para começar o show e o tema de Samba Dobrado apareceu. “Quando vimos o vídeo, achamos que tinha ficado muito legal e decidimos incluir a música no repertório e, posteriormente, no disco”, conta.
As duas composições de Cesar (Choro nº 7 e Short Cut, além de uma terceira, O Que É, O Que É, em parceria com Márcio Moreira e Sérgio Augusto) também entraram no CD a partir dessa identificação entre os instrumentos, assim como a composição de Romero (Mr. Jr.). “Não tivemos problemas em dizer que entrariam duas minhas e uma dele ou discussões desse tipo”, afirma. Os arranjos, sim, ficaram com César pela intimidade que tem com esse tipo de tarefa.
A única música do repertório “pensada” para entrar foi Fotografia (Tom Jobim). “É um arranjo do qual gosto muito – ele fez os arranjos para o disco gravado por Elis e Jobim em 1974 que inclui esta música – e as pessoas também elogiam”.
Cesar Camargo poderia ter incluído mais composições suas no CD, mas prefere tocar músicas de outros compositores. “Na verdade, toco as músicas que gosto de ouvir”, define. Além disso, no disco anterior – Nova Saudade –, feito para os mercados norte-americano e japonês, mas também lançado no Brasil no começo do ano, o músico tinha gravado várias composições próprias.
Mercado
César é só elogios para a Trama, gravadora comandada por João Marcelo Bôscoli – filho de Elis Regina. Não por isso, faz questão de ressaltar, mas pela coragem que João teve em apostar no lançamento do disco. Os convites para gravar nos Estados Unidos deixavam o Brasil em quarto plano na hora de lançar e isso desagradava o músico. “Quando o João me convidou fiquei preocupado porque também queria o disco fora do Brasil, mas descobri que a Trama lança seus produtos em sete países”. Isso garantiu também uma turnê do duo no Brasil em março. São Paulo e Rio estão garantidos, mas Cesar aposta que vai chegar a outras cidades também.
Sobre as dificuldades encontradas pela música instrumental no Brasil, César surpreende. “Todo mundo fala em mercado complicado para a música instrumental, mas meus discos vendem bem”. Samambaia (1981, com Hélio Delmiro) chegou a 65 mil e Prisma (1985, com Nelson Ayres) atingiu 80 mil. É, de fato, uma marca bastante expressiva.
Nos Estados Unidos, proporcionalmente, o mercado também é pequeno, mas há muitos espaços para se tocar todos os dias e rádios especializadas, lembra. Isso significa dizer que é possível ouvir música instrumental em FMs norte-americanas, impensável no Brasil atualmente. Na década de 80, sim, César Camargo, Egberto Gismonti, Hermeto Paschoal e tantos outros eram ouvidos em FMs.
Por conta desse tema, Cesar faz novos elogios à Trama. “Quando o João Marcelo falou em criar a gravadora, como produtor eu disse que ele estava louco. Como músico e ligado familiarmente a ele, achei ótimo. Hoje, louvo a criação da Trama, pois ela conseguiu um espaço baseado na diferença e na qualidade”.
Também está satisfeito com a internet. Só anteontem (dia da entrevista) houve 800 acessos à página de Cesar Camargo para saber do disco novo. “É muito significativo”, entusiasma. “Isso mostra que o povo brasileiro não é babaca, gosta de boa música apesar das rádios e da TV”.
Último elogio vai para a filha – com Elis – Maria Rita Mariano, que acaba de ser escolhida como cantora revelação pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). “Ela nunca quis ser cantora e ninguém a forçou. Estudou jornalismo e, provavelmente, iria trabalhar com o negócio de shows. Mas de repente, decidiu cantar. Como pai, só posso estar orgulhoso”.
(cosmo.com.br) Correio Popular.


Opinião da Mídia

EU TE AMO foi bem recebido pela crítica norte-americana mais pelas presenças de Sônia Braga e Vera Fischer do que pelo filme em si. Segundo Mick Martin e Marsha Porter, por exemplo, EU TE AMO "é um filme sensual de alto estilo, com pretensões de ser um trabalho artístico." Leonard Maltin é da mesma opinião, e considerou essa "crônica pretensiosa, embora seja sempre bom ver Sônia Braga." No Brasil, o crítico Rubens Ewald Filho chamou a atenção para a "excelente música de Chico Buarque, Tom Jobim e César Camargo Mariano." Para finalizar, a equipe do guia NOVA CULTURAL afirma que essa é uma "fantasia com belas imagens e atuações engraçadas de Tarcísio Meira e César Pereio."
(2001video.com.br)